sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Monet

Ninpheas 1916 – 1919 – Monet

Entre o azul tão azul
Os fios verdes pelos cantos
As flores rosa fundindo no azul
Perfumando, envolvendo no encanto...

O lilás que se apresenta
Entre o brando de um azul
Cobrindo a sombra que se ausenta
Surgindo um novo tom, azul.

Entre mais traços de um azul, azul...
As folhas verdes feito um manto,
São as ninpheas rosas entre azul
Em gotas amarelas, sem voz, um canto...

Emoldurado, embrulhado, um presente
Ao senhor Doutor, com sua permissão,
Em uma reservada sala, consente...
Sua exposição.
  

Natural



Tão natural como nascer...
É o morrer do sol
Que vai e volta sem faltar,
Sem exigir e nem cobrar,
Tão natural, naturalmente...

Ele vem com a força do verão
Vem aquecer,
Colorir e promover a diversão...

Ele vem com as folhas do outono
Dourado, espalhando,
Forrando como um tapete de folhas secas...

Ele vem com o frio do inverno
Clareando, mantendo,
Aquecendo-nos como um abraço...

Ele vem com as flores da primavera
Encantando, perfumando,
Florescendo em amor...

Astro divino, ou deus todo poderoso, sol...
Deus do céu e da terra...
Energia, luz...

Quem me dera



Quem me dera eu fosse capaz de voar
De entre as nuvens olhar o mar
Que sobre o mar eu falasse com os peixes
E entendesse os segredos das sereias...

Quem me dera os corais cantassem no mar
Ao som das baleias e os golfinhos a bailar
Embalançando o oceano
Formando as ondas do mar...

Quem me dera eu fosse capaz de sonhar
Os sonhos das crianças a brincar
Os sonhos dos amantes a se beijar
Os sonhos das plantações a semear...

Quem me dera eu fosse capaz de enxergar
Além das aparências e conveniências
Que as almas se expressassem em verdade
Em solidariedade e compaixão...

Quem me dera...

Não disse nada



Nada que fosse relevante,
Nada que fosse nem mesmo irrelevante,
Nada que fosse música,
Nada que fosse possível cantar,
Nada que fosse amor,
Nada que fosse de odiar,
Nada que fosse importante,
Nada que fosse de nem importar,
Não disse nada...
Nada que fosse duvidoso,
Nada que fosse de confirmar,
Não disse nada...

Nada que o silêncio não pudesse falar...

Anjo da Guarda estressado




-Santo Anjo do Senhor...
-Ah não! Para já com isso!
-Estou rezando para o meu anjo da guarda.
-Não está não! Está me aborrecendo com essa mesma ladainha de sempre.
-Por que diz isso?
-Porque eu sou o seu anjo da guarda.
-Não é não! Anjo tem asas.
-Olhe minha asa, já que só credita no que vê.
-Mas anjos cuidam de nós...
-E o que acha que eu estou fazendo aqui?
-Bom, nem quis ouvir minha oração.
-É que pro seu governo, eu fico sempre do seu lado, não precisa me chamar.
-De qualquer forma queria te pedir proteção.
-Que proteção? Então comece a cuidar de si mesmo, não tenho como impedir de se encher de gordura, de biscoitos, de refrigerantes.
-Mas não era esse tipo de proteção que eu queria.
-Pois é, ainda gasta meu tempo pedindo pra ser protegido de assalto, de sofrer qualquer tipo de violência, de ser atacado por terceiros, mosquitos, animais... Quando você mesmo se ataca, se destrói, definitivamente, eu não entendo...
-É, você tem razão.
-Sim, eu sei que tenho.
-Então como quer que eu faça minhas orações?
-Simples, com ações! Quantas pessoas morrem de bala perdida ou de desastre de avião?
-Não sei!
-Bom, nem eu, mas com certeza bem menos do que se morre de infarto, por exemplo.
-Entendo o que quer dizer...
-Então passe a orar cuidando de si mesmo, ou pelo menos não se destruindo.
-Obrigado! Acho que agora sei como fazer uma boa oração do anjo da guarda quer ouvir?
-Depende.
-Deixe de ser um anjo estressado e ouça.
-Se valer a pena...
-Sim! Santo Anjo do Senhor, obrigada!
-Hum, melhorou.
-Melhorou? Como sugere?
Santo Anjo do Senhor, eu saberei viver os efeitos das minhas ações, plantando, regando e colhendo.
-Assim?
-Sim! E eu respondo como sempre.
-Como sempre? Nunca ouvi.
-Raro são os que têm ouvidos para ouvir... Mas como sempre, eu finalizo as orações com duas palavras.
-Quais?
-Que seja!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

De fato em fato



É fato quando algo acontece de fato, mas quando algo acontece sem fato é mentira, criação ou invenção e de fato que algo acontece sem o fato, é fato!
Um exemplo: é fato que ele morreu deixando saudades. É fato que ele morreu, de fato é fato. É fato que ele deixou saudades, de fato é fato em quem realmente sente saudade, mas é mentira, criação ou invenção em quem de fato o matou então o fato não seria o fato dele ter morrido, mas o fato dele ter sido morto. De fato em fato, o fato é que tudo – é – mentira, criação ou invenção, esse fato é o fato de fato! 

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Presentes do tempo perdido




Elas, que em minha adolescência se fizeram presente, ao meu lado... curtimos - conversamos - paqueramos - festejamos... Elas eram iguais, diziam... Gêmeas, mas que eu nunca confundi, eu percebia suas auras, suas almas, seus olhares... e sem dúvidas identificava cada qual, Andréa e Adriana, como era bom esse nosso tempo, jamais me esqueci...
Eu me ausentei, me casei, sonhava pela continuação da nossa amizade, mas, nossas escolhas nos fez nos afastar... Então surge um novo caminho, um novo canal, e em uma busca incessante procurei e ainda procuro pelo tempo que se foi, e  com persistência e insistência, fui encontrando presentes que aos poucos vou desembrulhando, Andréa e Adriana, obrigada por serem meus presentes do tempo perdido, que sim volta! Volta com uma nova fórmula, conectados. E aqui estamos nós outra vez!

Como presentes do tempo perdido...

domingo, 28 de agosto de 2011

E o fogo...



Eu me vi ao vento... E ao meu lado minha irmã de alma, usávamos vestidos longos, de muitos panos um sobre o outro, soltos, ao vento e cavalgávamos... Ouço o barulho de mais cavalos, o sorriso se quebrou dando lugar ao medo... Corre! Ela grita... E eu tento correr... Ouço um disparo, um tiro a acerta pelas costas, eu paro e me entrego ao homem do cavalo branco... Ele, com sua roupa de fé ocultava o preconceito e o medo do desconhecido... Sua curiosidade era um pecado, seus sentimentos impuros... Sua covardia em suprir seus reais desejos e curiosidade, fez entregar seus receios, seus medos ao poder... E o poder... Reuniu todos os medos e em fogo declarou o fim dos pecados... Pecado maior é o do poder em abusar do poder e matar... Mas seus olhos... Seu olhar direto ao meu... Eu me lembro... Não se torture isso vai passar, em outras palavras, sentimos... E todo medo se transformou em certeza da imortalidade da alma e nos Pirineus ainda sopra o vento entre a luz do sol, luz do fim do dia, entre as árvores a luz da lua... E o infinito se mostrará... Em outra vida... Outro lugar...
Sonhos, visões, certezas e dúvidas, medos, medo e coragem... E novamente o mesmo olhar... Já nem é mais pecado, e um aroma que enfeitiça é o mesmo que cura a alma... E a certeza nem se faz mais necessária, já que a dúvida nem mais existe, e o amor que insiste... Então se escreve... Destacamos nossos melhores e escondemos nossa alma, proteção, cautela, prudência, covardia... Não! Compreensão... Verdade...  E o vestido ao vento se queimou... Libertando uma alma aprisionada no tempo, ao preconceito do poder, da religião, do medo... Alma essa em amor e perdão... Ilusão, imaginação, sensação... Recordação... Alma essa livre que voa de encontro ao perigo, ousada, assustada... Vai longe, entra no castelo do poder... O mesmo olhar se apresentou e me fez gelar, me fez tremer e perdoar com um toque forte no aperto de mão, libertando o que restou de medo... Mas a calma da alma me fez sentir em paz e me elevo... E as palavras desconcertadas, perdidas no sorriso, na calma, na paz, em luz...
Delírio no silêncio das almas...

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Plante suas sementes...



Só por um momento me pego pensando que não temos todo tempo do mundo, não nesse mundo e me pergunto: O que fazemos pelo pouco tempo que temos? O que venho aqui dizer é que posso muito mais do que faço e me envergonho por não fazer mais... Se eu fizesse a metade do que penso, eu deixaria uma plantação crescendo ao invés de um vaso de plantas... 

Mas, ainda posso arar um novo espaço no tempo que ainda me resta por aqui. Com essa conclusão, venho aqui plantar mais uma semente te questionando: O que faz por você e pra sua felicidade? O que faz para realizar seus sonhos? Faça! Pois é a única coisa que falta para seus sonhos se realizarem. Que você faça algo para que isso seja real. Que seja!

Plante suas sementes...

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Noite fria e o controle da mente

Crônicas do dia-dia


Noite fria e o controle da mente

Era noite, fria, como diz o título, eu aguardava na recepção do hospital, ninguém aparecia com notícias... o frio era de lascar – congelar, ressecar, quebrar, tremer... até que me concentro em não sentir os cinco graus que marcavam no termômetro de frente ao hospital, a sensação térmica era de um grau – negativo -  o vento parecia penetrar todos os inúmeros casacos que vestia, parei, pensei, me concentrei, controlei até que parei de tremer, o tremer de frio é psicológico, pensei... me sentei e até relaxei, descontraindo meus músculos que já começavam a doer,  enfim, me senti confortável... até que olho uma menina sentada do meu lado fazendo barulho com os dentes de tanto tremer de frio, olhei e pronto, bastou! Eu me desconcentrei e voltei a tremer... afff... 

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Rugas de Expressão (Pelo dia do escritor)

Ao Paulo Coelho


Quando eu era pequena eu sonhava com um senhor de cabelos brancos com uma bengala e um charuto, eu o imaginava como o Senhor das Montanhas, um sábio, um mestre conhecedor de todas as histórias e estórias, um senhor certo, justo, sem dúvidas, confiante e de confiança e suas rugas eram sinais de iluminação e sabedoria, caminhávamos entre caminhos de folhas secas, flores, vento, sol em luz...

Com o passar do tempo, escrevendo eu sonhava em ser esse senhor das montanhas, mas era inalcançável, irrealizável, impossível esse sonho, afinal, eu era apenas uma jovem menina a escrever poesias livres de amor e de dor, até que um dia conheci os escritos de um Guerreiro da Luz e para ele o impossível não existia, tudo dependia de nossas ações, o tempo continuou passando e esse Guerreiro da Luz tomou o lugar do Senhor das Montanhas em meus sonhos, sua sabedoria era contagiante, estimulante, seu estilo, o de um sábio rebelde, ou de um sábio moderno, seus olhos refletiam as dúvidas ocultas até de si mesmo, seus escritos peregrinavam mundo afora, cativando, encantando, enfeitiçando, sua bengala era sua inspiração, seu apoio em seu caminho, o pilar dos seus sonhos e escritos e sua iluminação, o seu guia...

Certo dia eu me deparei com o Senhor dos meus Sonhos, que com um aperto de mão forte, tão forte que fez com que uma lágrima escorresse pelo meu rosto, e eu disfarçando, com o coração disparado e com um sorriso de imensa alegria, não tive medo... O momento que se apresentava era maior que o mundo, tão maior que não sei como me expressar, e quem sabe um dia, uma ruga de expressão seja capaz de dizer o quanto o amo incondicionalmente, o Senhor da Montanha, um caminho de pedras, um campo de flores, neve, vento, deserto, todas as estações, todos os lugares e todas as vidas, ainda sonho... 

sábado, 2 de julho de 2011

CARTAS DE CRISTO

 Mais um trabalho de tradução, com muito prazer, lançamento previsto para Outubro de 2011, e eu já na contagem regressiva...


10, 9, 8... 


Mais de Detalhes

Picasso (Mulher ao espelho)


Um bloqueio ou armas de sedução?
A beleza diante do espelho,
O que procura ao se olhar?
Veja a suavidade do seu olhar,
Veja a sedução na sua pureza,
Veja seu encanto natural,

Por que se esconde da sabedoria?
Por que precisa de uma lógica?
Por que não aceita o que até pode parecer um absurdo?
Se meu amor pode parecer um absurdo,
O que é a fé?
A fé é como o amor,
Um absurdo
Inexplicável, improvável, mas real.
Se desejar me ver, me olhe no espelho
E me veja em seu coração...

Detalhes, diálogo com o espírito Sören Kierkegaard

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Caminho...



No caminho de volta pra casa...
Então é assim que você está? Um vulto negro, um nada,
tenta me assustar? Está certo, me assustou, estou com medo,
quer me convencer de que você não é como aparenta, quer me
convencer pela sedução, me faz tremer, justifico o frio, mas sei
que não é o frio, é o medo, eu tenho medo... Não sei o que me
espera, não sei se me espera, o que adianta saber? O que adianta
ser de mente inteligente se não sei o que me aguarda? Não sei o
que vai me acontecer, você tem que me dizer, alguém tem que
saber, sempre alguém sabe...

Por que quer me assustar?
Não foi minha intenção, não me vejo assim, isso é o desespero,
logo passa, logo vem a suavidade do vento e a suavidade da
luz, logo vem a paz, confie em mim, confie em seu coração, confie
em seu amor, você é sábia o bastante para entender, o que vê
é o medo, só você consegue ser como eu, você é ainda mais do
que eu, tu és ousada, de uma coragem sem fim, em busca da
verdade; da verdade de Deus, em busca da fé, em busca de Deus.
É demasiado seu pensamento, seu raciocínio, não menospreze
sua mente, você pode mais do que deseja, você é mais do

que acredita ser, não desperdice sua sabedoria, evolua, cresça,
assim poderá ser e ninguém nunca te compreenderá, seja mais do
que deseja, evolua, permita-me auxiliar, permita-me você!
Cruel, a vida é cruel, a justiça não mais existe e ainda insiste.
Por que você não me permite, por que você não acredita em mim?
Eu vi Sören, eu vi o que não sei o que é...

Detalhes, diálogo com o espírito Sören Kierkegaard

Detalhes de Detalhes



Certamente, algo estava acontecendo.
A loucura?
A figura, o corpo, a imagem se libertava na morte, assim
como a loucura liberta certamente, estar louco conforta, nos liberta
da ordem, da obediência, da conveniência, de nós mesmos.
A loucura encanta, fascina, a loucura me encanta no seu estado
mais verdadeiro de ser, decerto a loucura é o encontro com a
própria verdade, com a própria realidade, a realidade que se acredita,
essa é a loucura, ser o que se crê, é ser o que se deseja,
mesmo que seja mentira, se crê e basta, essa é a liberdade da
mente, não se oprimir, não se restringir, mas sim se expandir até
onde se deseja enquanto se desejar, exótico, erótico, infantil, até
cruel, ser tudo, todos a qualquer momento e na imaginação de si
mesmo sorrir e chorar sem justificar, ser louco é ser livre no universo
moral, ético, no universo real e da fé. Se eu acredito, sou!

Se eu acredito, posso! Sem lógica, mas na fé em si, no próprio eu,
eu louco, eu livre, eu possivelmente feliz, ou eu morto!

Detalhes, diálogo com o espírito Sören Kierkegaard