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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A BRUXA DAS QUATRO TAÇAS



A Vida, feiticeira dos destinos,
Deu-me três taças, para que eu bebesse
Dos seus vinhos mais finos.

A primeira era fluida, etérea e fria,
Como cavada numa bolha de ar,
E estava cheia de uma luz que ardia
Dentro das almas, como, à noite, o luar...
Por ela se bebia a Volúpia do Céu.

A segunda era feita em carne; ansiava
Como um dorido coração na dor...
Seu vinho, sangue ardente como lava,
Queimava as almas num verão de amor...
Por ela se bebia a Volúpia da Terra.

A terceira era fogo, ainda mais quente:
Como um sol dardejando e minha mão,
E e estava cheia de um licor fervente
Que me queimava a boca e o coração...
Por ela se bebia a Volúpia do Inferno.

Mas havia outra taça, uma cratera,
— Velho crânio por onde, a todo instante,
Ela, a Vida, bebia um vinho que era
Como um néctar de flor doirado e ebriante.

Então lhe perguntei: Por que motivo
Não me dás de beber desse hidromel?
Tenho mais sede, ardo num lume vivo
Depois que te esgotei as três taças de fel.

E ela me disse: — Um dia, meu amigo,
Ao fim do amor, do sonho e da desgraça,
Na última festa que hás de ter comigo
Terás também do vinho dessa taça:
Por ela é que se bebe a Volúpia da Morte.

Theoderick Gaspar de Almeida

(Um sábio homem de bengala, com seu chapéu cheio de charme, um poeta... meu poeta preferido o qual sou imensamente grata pelo pouco tempo que podemos conversar, bobeiras que jamais me esqueci, poesias que li de seu livro antigo, rasgado, largado...)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Trechos...



Um pouco mais de sol eu era brasa.
Um pouco mais de azul – eu era além;
E o grande sonha despertado em bruma,
O grande sonha – ó dor! – quase vivido...

                       *******

Não sou amigo de ninguém. Pra o ser
– Forçoso me era antes possuir
Quem eu estimasse – ou homem ou mulher,
E não logro nunca possuir. 

Dispersão, de Mário de Sá-Carneiro

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Juan de la Cruz



"Para vir a gostar de tudo,
Não queiras ter gosto em nada.
Para vir a saber tudo,
Não queiras saber algo em nada.
Para vir a possuir tudo,
Não queiras possuir algo em nada."

Juan de la Cruz