sexta-feira, 14 de maio de 2010

E todo medo


E todo medo
Em desespero, o choro calado,
Fecho os olhos e me vejo em seus braços.
E todo medo...
O medo e o desespero
Nos seus braços desapareceu...
E o seu abraço
Que me envolveu em seu cheiro
E o meu desejo
Você entendeu
E toda dor e o sofrimento
Em seus braços eu me esqueci...
E me esqueci do medo
E todo desamor
No seu abraço você me envolveu
E todo medo e desespero
No seu abraço...

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Paixão em segredo




Paixão em segredo
Ouvir sua voz, me fez disparar meu coração,
E minhas mãos geladas eu tentei esconder...
Saudade do teu cheiro, do teu calor e do teu abraço
E o seu beijo eu não sei,
Mas é o meu desejo, meu desejo, meu desejo...
E o seu silêncio que me enlouquece,
Eu não entendo o seu desejo, seu desejo, seu desejo...
O seu olhar é o meu segredo
E nele me vejo em seus beijos, seus beijos, seus beijos...
E aquele abraço apertado que você me deu,
Acalentado, que meu choro você percebeu,
É o meu desejo, e o seu desejo, em desejo...
E o seu beijo, eu não sei,
Mas é o meu desejo, meu desejo, meu desejo,
E o sei silencio que me enlouquece,
Eu não entendo o seu desejo, seu desejo, seu desejo...
E nesse impasse eu me desfaço,
No descaso dos teus passos,
Que nos meus sonhos livre anda pelas ruas de Paris, Paris, Paris...
E no abraço, no enlaço, você me dá as mãos,
É o meu desejo, seu desejo em desejo... 



(Letra Sônia Vianna Landeo)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Um abraço e um choro


Um abraço e um choro

Em uma roda, em luz...
Um sentimento de paz predominando,
E meu olhar cruzou ao seu
E seu olhar, bem dentro do meu
Parecia me dizer mais do que podia
Mas, que queria tanto...
Não tive medo, nem você...
E então, você veio em minha direção,
Em um abraçou forte o meu coração sentiu o seu...
E as pessoas ao nosso redor desapareceram,
E no mundo, nele, só havia você e eu...
E a paz... e a lágrima caindo em minha face...
E em seu abraço reconheci...
E em uma eternidade...
Entendi.

domingo, 2 de maio de 2010

Sobre Sören Kierkegaard e eu.




Se Sören fosse vivo, estaria completando 197 anos... no dia 5 de maio de 2010, mas, talvez ele esteja vivo, e com apenas 40 anos, e um ligeiro medo que cerca os 42 anos, que seria em 2012. idade a qual Sören morreu... Em 2 de outubro de 1855, Sören caiu e então ficou paralítico morrendo 40 dias depois no dia 11/11 de 1855... mas em um mesmo 2 de outubro, eu nasci, para quem sabe continuar uma caminhada interrompida por um medo de amar...

Quando eu escrevia “Detalhes” eu não entendia o que me ocorria, e então durante a terapia, (muitas sessões conto no livro), fui desvendando, retirando os véus que nos esconde de nós mesmo, e de primeiro instante foi a raiva que se destacou, a raiva pela invasão de Sören em mim, e eu o odiei por muito tempo até que conheci o perdão e o amor incondicional, aprendi a amar incondicionalmente, sua alma era visível e nítida refletida no meu espelho, seus medos, os mesmos medos que os meus, e então fui percebendo cada vez mais que não era ele me invadindo e sim eu abrindo mão do meu ser para que partes de mim se mostrasse visível, e então vi meus defeitos e minha incapacidade de amar em uma outra vida, comecei a me enxergar melhor, e cada vez mais fui me percebendo, como se eu estivesse ignorando o meu melhor, pois sempre o nosso melhor, é o presente, para permitir partes esquecidas, passadas, superadas, mas que até então, eu não tinha consciência nem das partes de mim e menos ainda da superação, e então compreendi a unificação das almas, em amor, em amor incondicional. E então, deixei de odiar Sören, e permiti a Sônia vivenciar o amor, e eu, o meu Eu superior, que é a soma de Sören com a Sônia e todas as suas outras partes que ainda desconheço, mas que fazem parte de Deus, Deus este que é puro amor. E então no espelho, a imagem que eu agora vejo, é de Sônia, de uma Sônia mais consciência, e consciente também de sua ainda inconsciência, e em esperança.

Impossível negar a emoção dessas lembranças, das visões, dos sinos na igreja, a emoção de cenas não reveladas no livro, que um dia, ainda revelarei, primeiro passo é compreender um passado ao qual condenei ser cruel, cruel um sedutor incapaz de amar, mas que por amor, não desistiu de se descobrir.

Então, “Detalhes” Diálogo com o espírito Sören Kierkegaard, eu diria uma agenda da loucura e da sanidade, o encontro do passado com o presente preparando um futuro em amor. 

A visão do funeral, ainda impossível de se lembrar sem chorar, o som dos sinos, ainda dispara meu coração, mas... compreendo.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Poeticamente... sobre o tempo.


O frio endurecendo as mãos,
Que geladas se perdem entre si,
Geladas noites que o embaçado da janela
Nem permite enxergar...
E o sol se opõe em vir aquecer,
Como quem não quer se envolver,
E as escondidas se aquece,
Ignorando as flores, ignorando a vida...
Mas, contudo, um dia se verá sozinho,
Entenderá que sem a flor não há o perfume,
E sem o sol não haverá a vida,
Que vazia se congela perdida no tempo.

Sônia Vianna Landeo

O dia sem tempo


Aquela menina na esquina
Vigiando o ponto de ônibus
Não sabe da lua à distância
Nem do sol seu poder...

Todo dia, dia-dia
A menina parada no ponto
E o ônibus a esperar,
Pobre menina, o ônibus não virá!

Seu coração disparado
E o medo aumentando
E junto o cair da noite
E a menina permanece na esquina.

O que tanto ela está a esperar?
E a noite chegando para agoniar,
Pobre menina no frio da noite
Ficará a esperar?

As horas passam, vão e vão
E ninguém a contar...
Quanto tempo ainda passará
Sem ninguém a contar?

Mais um dia se foi,
E a noite voltou a dominar
O que ainda faz a pobre menina a esperar?
E o tempo, nem há o que contar...

Sônia Vianna Landeo

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Doença da Alma





Por vezes a febre volta
E me lembro da incurável doença da minha alma,
Os calafrios, as dores,
A tensão e a desatenção.
Amaldiçôo seu viver,
Abençôo o seu viver,
Em contradição...
Nem sei o que fazer.
As vistas turvam,
O horizonte desaparece,
E a noite cai,
Em pleno dia...
E o desejo de dormir e não mais sonhar,
E se sonhar não mais acordar,
E de lá não mais voltar,
Ou não mais voltar a viver...
Pode parecer poético,
Mas nem é ético esse domínio,
Esse poder, esse amor e ódio
Que fere minha alma...
E não há remédio,
Pois nem mesmo o tempo pode curar,
Já que não há tempo nesse lugar,
A alma é ser e estar, em qualquer lugar...
Sem tempo,
Sem julgamento,
E sem entendimento,
Nem sei o que dizer...
E a alma ferida e imortal, sem cura em tortura,
Sem nem saber o que fazer,
Nem o que dizer...

Sônia Vianna Landeo

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O início do fim

A falta de fé, a descrença, a covardia que leva ao tormento...

Em nome do amor...

Em nome de Deus...

Quem ousaria destruir outro alguém em nome do amor? Certamente alguém que enxerga com os olhos do orgulho e ilusão, ou mesmo arrogância, talvez!

O amor romântico é algo belo, perfumado, florido, encantado, iludido, sim, iludido! Pois o verdadeiro amor é a dor, é o perdão pelas ofensas, pelos desagrados, o amor é saudável e harmonioso, livre, sim livre! Amar é oferecer todas as condições possíveis do amado ser feliz, é proteger, iluminar e libertar...

Um pássaro... ame um pássaro e o veja em seu potencial natural, voando livre sobre as árvores, escolhendo seu repouso, as flores, cantando, voando... agora o aprisione em uma gaiola para o “ter” egoisticamente ao seu lado, ele não morrerá, irá até cantar... agora, entender o que ele canta? Decerto canta sua alma tentando compreender o amor que o aprisionou...

Uma flor... ame uma flor no campo e a veja dividir o espaço com o vento e o tempo... por amar essa flor, você recolhe e a coloca em um jarro e fica a admirando, ela tenta resistir ao desligamento da natureza, da sua fonte de energia e se esforça em se manter erguida, até que suas forças se esgotam, e ela não consegue mais encantar a vida de seu amado, murcha e se despetala... se desfaz...

Uma criança... ame uma criança e a veja sorrir explorando seu mundo, desvendando os mistérios da vida, crescendo, evoluindo, confiante em si, agora a aprisione e a proteja do mundo, a proteja dos perigos da vida, da descoberta dos mistérios da vida, e a veja sorrir ao te ver, somente ao te ver... sua alma entristece e sua confiança falece... onde está o amor?

Sônia Vianna landeo

E não há raio...

Que não tenha luz e energia

E contradizendo o ditado popular

Um raio pode sim cair no mesmo lugar,

Quantas vezes Deus (EU) decidir

Pois não há raio que caia sem que tenha um efeito

Nem que não ilumine por um instante,

Nem que não faça refletir...

Uma prova de Deus...

...Iluminando, ampliando a esperança, despertando a fé.

Sônia Vianna Landeo

sábado, 7 de junho de 2008

Detalhes, Diálogo com o espírito Sören Kierkegaard



Detalhes
Diálogo com o espírito Sören Kierkegaard

“A nossa mente é como um oceano, pouco explorado, pouco navegado na sua imensidão...” e é explorando sua mente que a autora revela detalhes de sua terapia de regressão a vidas passadas.
Em detalhes sonhos, visões e projeções, de forma subjetiva que leva ao leitor a vivenciar suas experiências resultando em uma reflexão profunda do existir, do ser interiormente, desvendando o passado e revelando como e porque agimos no aqui e agora, resgatando e ampliando ainda mais a compreensão de amor incondicional em um diálogo com o espírito de um teólogo e filósofo dinamarquês do século XIX, e desse diálogo se extrai que a verdade é subjetiva e que o realmente importante, é a verdade pessoal, o ser, o existir e o experimentar verdadeiramente sua existência, um diálogo em que ele conclui “Você não vai encontrar a verdade, você vai se tornar a verdade... a verdade é ser e não estar...”.

Sônia Vianna Landeo

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Um pequeno trecho... XXX


Eu costumo dizer que há dois caminhos que nos levam direto a Deus, a dor ou o amor, ou mesmo ambos, a dor do amor e por mais que se revolte, é a Deus que nos dirigimos com nossos apelos e desesperos, e mesmo aquele mais descrente, se revela submisso a Deus confiante na esperança do alívio de seus tormentos, é a Deus que dirigimos nossas súplicas e é em Deus que absolvemos aos nossos pecados pelo perdão, e assim compreendemos a fé, e com Agostinho e com sua “Amante” seguiu-se neste mesmo caminho, porém cada um em caminhos diferentes, e até aparentemente opostos, porém paralelos e Deus seria o alívio de seus medos e tormentos.


“Louvor e gloria a ti, ó fonte das misericórdias!”
(Agostinho, Confissões, livro sexto, capítulo XV – Pág. 138)



E cada vez mais se sentindo indigno, miserável, porém capaz de sentir uma mudança em seu íntimo, como se fosse arrancado (pela mensageira de Deus a que ele se refere como destra) do lodo dos vícios para se purificar. E mesmo já percebendo essa luz de purificação, mesmo assim não se sentia capaz de sair do seu abismo de prazeres carnais e culpas. Em seu íntimo a infinita luta entre o bem e o mal.


“Ó caminhos tortuosos! Ai da alma temente que se afastando de ti, espera achar algo melhor! Dá voltas e mais voltas, para todos os lados, mas tudo lhe é duro, porque só Tu és seu descanso.”
(Agostinho, Confissões, livro sexto, capítulo XVI – Pág. 139)



Sônia Vianna Landeo

domingo, 1 de junho de 2008

SOBRE A DOR




Sobre a dor



Quando eu era pequena e sentia dores nas pernas e por vezes nos braços, minha mãe dizia feliz:

- Parabéns! Você está crescendo!

E conversávamos a respeito dessa dor. Ela justificava que eram os ossos crescendo e isso doía, era normal. Bom, não tenho mesmo como negar, as dores são normais; são efeitos de alguma causa, e mesmo sendo efeitos, são causas também, ou melhor, até mesmo os efeitos são causas para outros efeitos. E assim vamos - como dizia a minha mãe - crescendo.

O efeito de uma dor sempre é o crescimento, porém não necessariamente dos ossos; afinal, não somos apenas matéria.


O que quero dizer com essa historinha de criança é que não há dor sem crescimento, e o mesmo acontece com o espírito. As dores emocionais sempre nos fazem crescer espiritualmente, mesmo que com ela não consigamos enxergar o crescimento. Mas isso também não significa que devemos sair por aí batendo com a cabeça só para sentirmos dor, não! Refiro-me à dor natural, efeito de uma causa que justifique a dor, como uma perda, uma separação, uma reparação... Sim! reparação: por vezes sentimos dor ao repararmos um erro - dor do ego, orgulho, o que for e o efeito será certamente o crescimento. E podemos inclusive dizer também o renascimento, o nascimento, como na dor do parto, por exemplo. Quais os efeitos da dor do parto? Inúmeros, tantos e o principal talvez seja o nascimento de outro ser em crescimento; além do renascimento de um ser - a mãe - que renasce de mulher como mãe, um novo ser espiritualmente, e sem dúvida, ambos em crescimento.

Sônia Vianna Landeo



DO ALTO DOS MONTES






Do alto dos montes


Oh! Meio dia da vida! Época solene!
Oh! jardim de estio!
Beatitude inquieta
da ansiedade na espera:
espero meus amigos,
noite e dia,
onde estais, amigos meus?
Vinde! É tempo, é tempo!


Nã0 é por vós que o gelo cinzento
hoje se adorna com rosas?
A vós procura o rio,
Suspensos nos céus ventos e nuvens se alevantam
para observar vossa chegada
competindo com o mais sublime vôo dos pássaros.


No meu santuário coloquei a mesa:
Quem vive mais próximo das estrelas
e das horríveis profundezas do abismo?
Que reino mais extenso que o meu?
E do mel, daquele que é meu, que sentiu seu fino aroma?


Aqui estais, finalmente, meus amigos!
Ai! não é a mim que procurais?
Hesitais, mostrais surpresa?
Insultai-me é melhor! Eu não sou mais eu?
Mudei de mão, de rosto, de andar?
O que eu era, amigos, acaso não mais sou?


Tornei-me, talvez, outro?
Estranho a mim mesmo? De mim mesmo, fugido?
Lutador que muitas vezes venceu a si mesmo?
Que muitas vezes lutou contra a própria força,
ferido, paralisado pelas vitórias contra si mesmo?


Porventura não procurei os mais ásperos ventos
e aprendi a viver onde ninguém habita,
nos desertos onde impera o urso polar?
Não esqueci a Deus e ao homem, blasfêmias e orações?
Tornei-me um fantasma das geleiras.


Oh! meus velhos amigos, vossos rostos
empalidecem de imediato,
transtornados de ternura e espanto!
Andai, sem rancor! Não podeis demorar aqui!
Não é para vós este pais de geleiras e rochas!
Aqui é preciso ser caçador e antílope!


Converti-me em caçador cruel.
Vede meu arco: a tensão de sua corda!
Apenas o mais forte poderá arremessar tal dardo.
Mas não há nenhuma seta mortal como esta.
Afastai-vos, se tendes amor à vossa vida!


Fugis de mim!? Oh, coração, quanto sofreste!
E entretanto, tua esperança ainda se mantém firme!
Abre tuas portas a novos amigos,
renuncia aos antigos e às lembranças!
Fostes jovem? - Pois agora és mais e com mais brio.


Quem pode decifrar os signos apagados,
do laço que une com ua mesma esperança?
Signos que em outros tempos escreveu o amor,
que luzem como velho pergaminho queimado
que se teme tocar, como ele. Queimado e enegrecido!


Basta de amigos! Como chamá-los?
Fantasmas de amigos! Que de noite,
tentam ainda meu coração e minha janela
e me olham sussurrando:
Somos nós!
Oh! Ressequidas palavras, um dia fragrantes como rosas!


Sonhos juvenis tão cheios de ilusão,
aos quais buscava no impulso de minhalma,
agora os vejo envelhecidos!
Apenas os que sabem mudar são os de minha linhagem.


Oh! Meio dia da vida! Oh! segunda juventude!
Oh! jardim de estio!
Beatitude inquieta na ansiedade da espera!
Os amigos esperam, dia e noite, os novos amigos.
Vinde! É tempo! É tempo!


O hino antigo cessou de soar,
O doce grito do desejo expira em meus lábios.
Na hora fatídica apareceu um encantador,
o amigo do pleno meio-dia.
Não, não me pergunteis quem é;
ao meio-dia, o que era um,
dividiu-se em dois.


Celebremos, seguros de ua mesma vitória,
a festa das festas!
Zaratustra está alai, o amigo,
o hóspede dos hóspedes!
O mundo ri, o odioso véu cai,
E eis que a luz se casa Com a misteriosa,
subjugadora Noite.

Friedrich Nietzsche

A UM AUSENTE



A UM AUSENTE

Tenho razão de sentir saudades,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral,
a comum aquiescência de viver
e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,
enlouquecendo nossas horas.
Que poderia ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação,
o ato em si, o ato que não ousamos
nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos,
nem isso,
voz modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te
porque fizeste o não previsto nas leis da amizade
e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito
de indagar porque o fizeste,
porque te foste.

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Escrever poeticamente

Escrever poeticamente...

E o que é morrer?
É deixar o corpo, ser livre, voar,
É poder estar, poder sentir,
É viver, é seguir,
Ter o coração como guia,
Deus como amigo
E o que mais importa?
A verdade importa,
Qual minha condição agora?
O que eu devo fazer?
Não há fundamento,
Apenas o amor,
Envergonho-me por amar,
Amar é tolo, é fraco,
Se covarde, foi por proteger,
Se ousado, foi pra encorajar,
Viver só, estar com Deus, ter fé e amar,
Não permitir a hipocrisia,
Não permitir a dor da perda da felicidade,
Não saberia ser feliz,
Não seria grato o bastante,
Não seria digno, merecedor,
Não seria justo sofrer por amor
E, no entanto, sofro,
Sofro sem saber da felicidade,
Sofro por julgar-me e julgo sem perceber,
Vivo o efeito de meus atos,
Vivo as conseqüências de minha enlouqüência,
Vivo minha condição
Ou não vivo nada?


A morte

O cerimonial fúnebre
O enterro do corpo
O cemitério
É como uma fábrica de alimentos,
Empacotamento,
Em um caixão colocamos o corpo,
Organizado, disciplinado,
Como se importasse,
Como se fizesse diferença
Mas, ao enterrar, no fundo
Estamos entregando o corpo
Aos nossos próprios germes,
As nossas próprias pragas
E nos deterioramos pouco a pouco,
Mas não ocupamos que
Transforma em alimento,
É natural,
Assim como é natural a nossa alma
E por que importa o corpo?
Entenda a alma,
Sinta a alma,
É possível, veja seu próprio “eu”
Sem medo,
Seja ousada,
Se tomada por louca?
Saberá que louca é a consciência
De si própria.
Ouse!

Não importa o que os filósofos dizem,
Eles mentem!
Não importa os que os poetas dizem,
Eles mentem!
A ninguém nada importa
A não ser a si mesmo
E não importam em que condições estão,
Se vivos?
De vida, de corpo, de alma, espírito...
Espírito?

Um desespero,
Não tão humano,
Um desespero sem fim,
Uma angústia sem fim,
E até quando?
Se a desejo eternamente,
Se desejo amar eternamente,
Assim deveria ser para todos que amam,
Se amar realmente, é para sempre,
Se me dói, é a condição de amar,
Se me faz sofrer, é o amor das almas,
Se me dói, se me faz sofrer, por que amar?
Por que não deixar de amar?
Por que não sei viver, nem morrer?
Uma visão diferente

É como olhar do alto
Ver o mundo com outra alma
Sentir com outro coração
Pensar com outra mente
Escrever com outra mão
Uma caneta diferente
Um papel diferente
Por um instante me confundo
Não sei de mim
Não sei o ser que se manifesta em mim
Sou corpo, sou alma,
Sou sentimento e pensamento
Sou espírito e vivo
Em busca de uma razão
De uma verdade que justifique
Ousadia?
Pode parecerOrgulho?
Pode ser
Mas se amo, amo pra sempre
E pra sempre vou te amar.

Sônia Vianna Landeo